

A sinceridade da descoberta sexual de Zachary é mostrada de uma forma muito natural pelo diretor canadense Jean-Marc Vallée. Em meio aos conflitos familiares, os preconceitos de seu pai (Michel Côté), a proteção de sua mãe e os inconvenientes atritos com seus irmãos, Zachary se afirma na sua busca de identidade. A trilha sonora do filme auxilia o espectador a acompanhar esse movimento do personagem que migra de uma rigidez moral e uma ortodoxia religiosa representada por seu pai e por sua mãe para uma zona obscura de formação de sua subjetividade, porém livre.
C.R.A.Z.Y é um filme com um rítimo incrível. Cores fortes, diálogos rápidos e precisos, cenas econômicas e personagens dinâmicos fazem o filme ser bastante convencional, porém dotado de uma delicadeza, um cuidado, que tornam o drama do processo de subjetivação de Zachary bastante envolvente e familiar. Para o termo “convencional” que usei aqui, resgato uma frase do próprio Zachary: É muito difícil ser convencional. Porque é muito difícil ser aceito, isto é, verdadeiramente aceito. É muito difícil ter falhas. Ser perfeito não é esforço nenhum – e quem não quer se esforçar é viadinho.
Assista ao Trailler: