domingo, 11 de fevereiro de 2007

The Ice Storm. Dir. Ang Lee. 1998.


Mudanças de pensamento e comportamento na vida privada de pessoas comuns. Na realidade é sempre muito problemático afirmar que haja algo de comum na vida de uma pessoa qualquer. Baseado no livro homônimo de Rick Moody, o filme “Tempestade de gelo” dirigido por Ang Lee tem o intuito de focalizar e identificar diferenças específicas na constituição de cada personalidade no interior da busca por alguma forma de padronização e enquadramento numa eventual normalidade.

Os acontecimentos têm como localização histórica a década de 70 acompanhada da onda liberalista crescente nos Estados Unidos. A família Hood enfrenta uma série de crises, a começar por Ben Hood (Kevin Kline) que enfrenta problemas de relacionamento com sua esposa, Elena Hood (Joan Allen), e tem um relacionamento constante com sua vizinha e amiga íntima da família, Janey Carver (Sigourney Weaver). Elena tenta dar pouca importância à infidelidade do marido se focando em outras prioridades, tais como o filho que vai para a faculdade, ou os próprios afazeres do lar.

Sem contar o “jogo” dos adultos, temos, por outro lado, a pré-adolescente Wendy (Christina Ricci), filha de Ben e Elena, que submersa em carências afetivas e na confusão da descoberta de sua sexualidade se lança num “jogo” de sedução com os irmãos Mikey Carver (Elijah Wood) e Sandy Carver (Adam Hann-Byrd), filhos de Janey. Mikey é um jovem intelectual apaixonado por matemática e ciência. Sandy, o irmão mais novo, passa a maior parte do seu tempo explodindo seus brinquedos no jardim. O irmão mais velho de Wendy, Paul (Tobey Maguire) se vê apaixonado por uma garota da faculdade que se mostra profundamente crítica e instigante, no entanto sente-se iludido ao perceber que ela tem hábitos nada convencionais.

É magistral a forma como Ang Lee conduz os personagens à luz no decorrer da trama. Uma luz que nunca é suficiente para iluminar toda a profundidade dos personagens, mas que apenas serve para mostrar que são complexos e insuficientes em si mesmos. Numa noite de forte tempestade os adultos vão para uma festa onde são levados a participarem do “jogo das chaves”. A única regra do jogo é que os homens coloquem a chave de seus veículos num vaso e as mulheres retiram uma a uma, o homem que tem sua chave retirada por uma dada mulher deve ir para o carro com ela. Paralelamente uma catástrofe acontece durante a tempestade. Esta é uma noite significativa para a família Wood que terá muitas coisas a que aprender.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Little Miss Sunshine. Dir. Jonathan Dayton. 2006.


Uma Kombi amarela e uma família muito longe da normalidade. Está certo que nenhuma família é normal... Mas os Hoovers “não dão para o cheiro”. O pai da família Hoover, Richard (Greg Kinnear), é um palestrante motivacional que descobriu os nove passos para alcançar a felicidade e o sucesso. Perfeccionista ao extremo, sua meta é vender seu programa de auto-ajuda para ganhar estabilidade financeira. A mãe, Sheryl (Toni Collette), guarda a sete chaves seu vício pelo tabaco. Frank (Steve Carell) é o tio, um acadêmico frustrado especialista no escritor francês Marcel Proust. Enfrentando problemas de correspondência amorosa num relacionamento gay, Frank tenta se matar e é encaminhado pelos médicos a ir morar com a família Hoover. O avô (Alan Arkin), um velho expulso do asilo por causa do consumo de heroína. Os Hoovers se completam com as crianças e seus sonhos improváveis. O primeiro é Dwayne (Paul Dano), um adolescente que fez voto de silêncio com a finalidade de entrar na força aérea. “Devoto” leitor de Nietzsche, sente ódio de sua família por ver a “fraqueza” e loucura de cada um de seus membros. Para finalizar temos Olive (Abigail Breslin), uma menina determinada a ser miss sunshine, mas que não abre mão de um sorvete.

A comédia começa por trazer à tela figuras muito originais, mas numa composição que ressalta uma certa desconexão, uma desarmonia, no entanto, são movidas por um único objetivo: realizar o desejo de Olive em participar do concurso de beleza “Little miss sunshine”. Com dificuldades econômicas, os Hoovers se lançam à estrada numa Kombi amarela enferrujada para cruzar grande parte dos Estados Unidos, do estado do Novo México até a Califórnia. O filme é composto por aquilo que chamamos de humor negro. A viajem dura três dias e todas as tragédias que ocorrem no caminho nos mata de rir, não por aquilo que elas são em si mesma, mas pelas novas situações em que cada figura da família se vê a cada instante.

As manias e os desajustes de cada integrante da família Hoover parecem ser muito pequenos quando se unem na realização do sonho de Olive. Eles se deparam com uma nova experiência, a da união. É bastante nítida a mudança de cada personagem no decorrer do filme, quando eles aprendem que o vencedor é aquele que não desiste de competir. Se a personagem Olive não foi Miss Sunshine, ainda há grande possibilidade de sua atriz, Abigail Breslin, receber um Oscar nesse ano. Ela foi impecável!

Site oficial do Filme

Veja o Trailer:

Noitão HSBC - Vidas sem rumo.

Dez horas intensas dentro de um cinema. Tudo começou às 21:30h com "Pequena miss sunshine" que assisti com amigos. Logo após resolvi ficar para o Noitão HSBC com a pré-estréia do filme australiano "Candy" (2006). Em seguida uma surpresa, um dos mais belos filmes que já assisiti de um dos meus diretores favoritos, Lukas Moodysson, chamado "Lilja 4 - ever" (2002), e por fim, uma obra prima do conceituado diretor Ang Lee, "The ice storm" (1997). Saí do cinema com o nascer do Sol, às 06:30h da manhã... preciso dormir e neste Domingo preparo os quatro posts...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Stranger Than Fiction. Dir. Marc Foster. 2006


Harold Crick (Will Ferrell) é um homem sistemático. Sua vida é toda calculada... Seu tempo, seus passos, suas palavras, suas ações... Seu comportamento metódico lhe permite portar-se como espectador de sua própria vida. Auditor da receita federal, Harold Crick percebe numa manhã de quarta-feira uma voz que narra seu momento presente como se ele fosse personagem de um livro de ficção. O que num primeiro momento pode parecer que se trata de uma comédia fraca e com elementos surreais baratos, se revela no decorrer da narrativa um filme com elementos dramáticos relevantes para reflexão.

Saindo completamente da receita das comédias que mensalmente invadem os cinemas, o diretor Marc Forster aposta numa comédia muito original e indiscutivelmente inteligente. A vida metódica e previsível de Crick começa a mudar no momento em que seu relógio inexplicavelmente pára e ele é informado das horas por um estranho na rua para acertar seu relógio, mas o que Crick não esperava é que o horário informado está três minutos atrasado. Quando a voz oculta presume sua morte Harold Crick se desespera. Procurando ajuda de uma psicóloga é desacreditado de que seja possível que ele faça parte de uma narrativa e seu diagnóstico é esquizofrenia. Consciente de que este não é o seu problema Crick procura na faculdade um professor de Teoria Literária, Jules Hilbert (Dustin Hoffman) que decide ajudá-lo a identificar o tipo de história que ele está vivendo e qual o momento exato de sua morte previsto pela narradora.

Crick ciente de seu fim inevitável e natural decide viver a vida. Não conta mais seus passos, não é mais controlado pelo relógio e procura fazer atividades fora de seu hábito, deste modo consegue encontrar espaço em sua vida para uma paixão. A sistematização seguida por Crick na sua vida tornava-o autômato e com um destino fixo e inevitável. Sacar isso foi o grande progresso de Crick que pode a tempo dar mais tempo a si mesmo.

Veja o Trailer: